Philip Roth, provavelmente o melhor escritor da actualidade, no seu magistral 'A Mancha Humana', tem a seguinte tirada posta na boca de Ernestine, irmã de Coleman Silk, enquanto falava com Nathan Zuckerman após a morte de seu irmão: «No tempo dos meus pais, e até em boa parte no seu e no meu, costumava ser a pessoa que ficava aquém. Agora é a disciplina. É muito difícil ler os clássicos; logo a culpa é dos clássicos. Hoje o estudante faz valer a sua incapacidade como um privilégio. Eu não consigo aprender com isto, portanto alguma coisa está errada nisto. E há especialmente alguma coisa errada no mau professor que quer ensinar tal matéria. Deixou de haver critérios, Mr. Zuckerman, para só haver opiniões.»
Não diria melhor.
Não diria melhor.
35 comments:
Ora aí está um autor que há muito ando para conhecer (ainda ando enredada na leitura de "O Idiota").
Pela citação, poderia parecer que falamos do caminho que a sociedade portuguesa e a política educativa do nosso país toma cada vez. Simplifica-se tudo e cada vez há menos espaço para o saber. Opiniões, claro, não faltam. Todos têm a sua e todos a expressam com a confiança do saber académico. Há doutorados em todas as áreas. Fala-se de tudo mas não se conhece nada e a ignorância e o desconhecimento começa a ser tão grande que muitas vezes se olham ao espelho e não sabem sequer quem são. Para quando voltar a formar mentes, ensinar a pensar, a ter juízo crítico?
P.S.: não me parece coerente abrir agora os comentários de um texto que tem uns 4 meses ou mais.
O Cardoso Pires muito oportunamente disse o seguinte: «o que não falta em Portugal é Dê Erres, temos Dê Erres para tudo e para nada». Ora é exactamente isso que se nota...muitas opiniões sobre tudo...e arriscamo-nos a passar de um modelo de análise científica dos dados em que a opinião servia sobretudo para por em questão certos dogmas para uma situação em que a opinião é o próprio dogma.
P.S. Roth, é para mim o escritor mais notável ainda vivo. Eu que me confesso admirador de Saramago acho que o Roth o ultrapassa em muito. Roth será talvez o romancista mais inteligente da actualidade, o seus romances tocam em todas as feridas da sociedade em que vive. E depois tem uma prosa única, uma coisa soberba que nos encanta, uma aparente e muito enganadora facilidade de discurso. É também o autor que mais tem sido ignorado pela academia sueca. Dou um exemplo: Doris Lessing e o Clézio são amadores quando comparados com Roth. E isto é tão evidente que até assusta. Não acreditam? Leiam os livros dos três e depois conversem comigo, lol. É que não há comparação possível!
Não conheço o autor, mas é verdade o que ele afirma. Realmente é muito mais fácil dizer que determinado escritor não consegue se expressar de maneira coerente, do que dizer que não conseguimos captar o que ele quis transmitir. E assim criamos desculpa para a preguiça mental! rs...
Bjnhos
Gosto de o ver a "postar" assim!
Valeu! Pelo post e pelas respostas aos comentários!
:))
Aparte: tenho lido mais nas últimas noites (ou dias? lost track of time... só sei que amanhã já volto à escravidão do relógio e do calendário) que desde há ano e meio atrás quando comprei o livro e finalmente começo a compreendê-lo nas questões que se impõem e na "idiotice" da personagem principal. Mais, fez-me aprofundar o niilismo. Apaixonei-me pelo conceito. Se em Filosofia me tivessem realmente feito "pensar"...
Lol...
se eu me tivesse dedicado à filosofia pelo ensino que obtive dela estaria neste momento em sociologia onde tinha notas invulgares, lol. Quem entra no sistema de ensino e sobretudo de ensino de filosofia nota-se que há cerca de 70% de futuros docentes que não preenchem os requisitos mínimos.
Depois, por outro lado, há muitos filósofos que não só não são bons oradores como complicando se explicam cada vez mais obscuramente..."o Idiota" segue dois modelos de vulto, D. Quixote e Cristo. Míchkin, é, portanto, um "Cristo quixótico" do século XIX. Não só é puramente crente na bondade humana (injustificadamente e é uma questão filosófica) como acredita que todos agem segundo o seu modelo de bondade. Porém, existe uma certa lucidez no personagem. É isso que faz de Dostoievski um prodígio literário.
Nota: não sei se há um niilismo em "O idiota" o que te faz dizer isso?
Aline: Não é somente um caso de literatura, na realidade Roth está a falar de educação, mais propriamente de educação escolar, desde o ensino primário até ao universitário.
É também frequente ele ter uma visão aproximada de um sociólogo, que ele não é, observando os fenómenos e anotando-os.
Mdsol: é um prazer! :)
Não me fiz entender (o que já vem sendo um mau hábito). Não há niilismo (acho que até pelo contrário, os valores são bem marcados). Há, isso sim, referências a este conceito, o que me fez ir pesquisar acerca do assunto (não tive filosofia no 12.º e antes disso não me recordo nunca de ter ouvido o termo... bem vistas as coisas, não me recordo de nada das aulas de filosofia...).
Beijito
Hum...bom, há aventureiros que consideram que Nietzsche provocou um Niilismo por romper por completo com o Cristianismo. Falso. E começou aí um mal-entendido enorme que descambou num Nazismo, Nietzsche não era nem niilista nem provocou um niilismo, essa ausência de valores morais cristãos não foram sequer compreendidos. E digo mais, tenho largas dúvidas de que tenham lido e compreendido bem Nietzsche - especialmente os pedagogos - é que se o tivessem feito teriam notado que, para além de Schopenhauer, a grande influência de Nietzsche foi Feuerbach (dos poucos filósofos aliás a quem ele tece rasgados elogios).
Pois bem era tese de Feuerbach que o cristianismo era "o amor do ser humano por si mesmo" isto é. Deus, é a representação máxima da maneira como o ser humano se vê a si mesmo. E também é tese de Feuerbach que é por Deus representar as qualidades que o homem crê possuir que o homem degrada a visão que tem de si mesmo, de modo a divinizar Deus ou por outras palavras divinizar o ser humano. esta é a tese central da obra de Feuerbach de quem Nietzsche se assumiu seguidor.
Deveria ser claro para todos os respeitáveis pedagogos que se Nietzsche seguia de perto essa tese, então, por consequência, ele também cria que os valores morais eram em última instância atribuídos e atribuíveis ao ser humano.
Depois o Niilismo em geral, enquanto doutrina, só muito restritamente é que não tem moral. Há aliás um manual que já traduzido para português de Kropotkine (famoso anarquista)intitulado curiosamente "a moral anarquista", (Edições Sílabo). Por isso há aí muitas baralhações neste universo humano o que infelizmente já é comum...quanto a ti querida E.O. bom, espero ter-te ajudado um pouco se quiseres dicas acerca de obras sobre o tema, estou disponível para ajudar. ;)
respeitável pedagogo de serviço...;)
eu vinha toda lançada falar sobre "critérios" e "opiniões"... sobre o seu papel e valor na educação e no ensino... Talvez também resmungar um pouco, porque me fizeste ter mais um livro à minha espera para o ler a ocupar espaço na estante, e gastar 50cts com o suplemento do público deste fim-de-semana... bora lá ler o ondjaki... já que o henrik fala dele...;)
Para dizer que a culpa é tua!... Também dele, "Há prendisajens com o xão"(o segredo húmido da lesma & outras descoisas)...;)não se faz!!... Obrigada. Bela dica...;)
Eis senão quando interrompo a tua aula! logo tropeço no Nietzsche voo por cima do Schopenhauer... ainda raspo no Feuerbach e acabo por aterrar ao colo dum Kropotkine, completamente atónito... todos repentinamente mudos, mas a pensarem lá por dentro que realmente no seu tempo não era nada disto, não era nada assim!...;)
Bravo Henrik!...Assim é que é falar... sem papas, moles ou ideológicos... Conheces e dás a conhecer, com toda a tua idiossincracia e tão generosamente, que a coisa se torna realmente interessante...
Melhor mesmo só quando te esqueces de tudo isso que já leste e aprendeste, e te lembras de escrever... estás a ver?...;)
Opiniões e critérios! educação e ensino!... juro, era do que eu vinha falar... ópa depois volto...;)
Por enquanto, gosto de te ler e ver escrever sobre o assunto - e também dá para reparar que te dá um tremendo gozo.
Realmente, aquilo que li (não tive tempo para aprofundar o assunto - só fui à wikipedia), referia Nietzsche como um propulsor do niilismo, mas quanto a isso nem me debrucei nem fiquei a pensar.
também daquilo que li, não entendi o niilismo como amoral mas como uma teoria que coloca em questão todos os conceitos morais, levando a uma reformulação dos mesmos.
Observei, ainda, referências a Nietzche ter rompido com o Cristianismo e entendo o que dizes quando referes a visão de Feuerbach, pois já o discutimos anteriormente. O homem é o seu próprio deus.
... sinto-me ainda muito ignorante acerca de tudo isto, mas confesso que a área me começa a fascinar.
:)
p.s.: onde andavas no meu secundário? ehehehh
Desculpa, estive a vasculhar os teus interesses e vejo duas falhas gravíssimas:
- não há referências a Saramago (cm é q eu, q digo n apreciar, o indico e "vossemecê" não?!)
- um filósofo deste gabarito não me indica como melhor filme de todos os tempos "A Vida é Bela"?!!!! não pode!!!!!
Mais, estou em choque por o saber uma carrada de dias mais novo que eu... o que por outro lado explica o speed para consumir (boa) literatura e para memorizar nomes russos de personagens.
LOL. É pá realmente...nem sei como não anotei Saramago...lol...até porque ele tem duas obras que considero brilhantes e inigualáveis: As Intermitências da Morte e o Evangelho segundo Jesus Cristo. Mas também confesso que já li tanta coisa (e espero ler bem mais) que não me consigo recordar de tudo o que me cativou...mas se essa situação é assim relativamente aos livros imagina no que respeita filmes: é que eu sou cinéfilo "doentio" vejo e revejo cinema com a assiduidade de uma pipoca por balde semanal, lol. isto quando posso claro...é um dos grandes filmes que vi de facto...já corrijo isso...bom eu leio como se não houvesse amanhã há já muito tempo, lol. A minha memória não é famosa, porém para literatura sempre foi soberba - ironias.... Todavia há uma nota:eu no meu perfil também fui muito pelos livros que li mais recentemente ou por aqueles que de facto me marcaram para a vida...por exemplo o ano passado li três romances magníficos: um entrou para o melhor livro luso do ano: Rui Zink "o destino turístico", admirável e só ao alcance: dele. Outro para o melhor livro lusófono lido por mim desde que me dediquei à literatura africana: Ondjaki "quantas madrugadas tem a noite", um livro só ao alcance de quem sabe escrever muito bem. E A mancha Humana do Roth como o melhor livro que li escrito nos últimos 15 anos.
S&L ora mui bem-vinda de volta :D
Hum...eu confesso que acho que Ondjaki ainda tem muito que aprender em poesia, mas ele já melhorou com o seu "materiais para confecção de um espanador de tristezas" do ano passado onde ele recuperou um pouco o que havia escrito no seu primeiro livro "acto sanguíneu" que está totalmente disponível online no seu sítio. Contudo, eu acho que Ondjaki é sobretudo notável em prosa mais particularmente em contos, novelas e sobretudo romances. A forma como ele brinca com o leitor em "quantas madrugadas tem a noite" é de um escritor de grande qualidade. Julgo que terá condições até para ser melhor que o Agualusa e só tem quanto a mim um equivalente em África (lusófona) que é Mia Couto. Mia Couto reescreve como poucos a língua de todos nós. Isto no estilo, pois é difícil ignorar os escritores africanos de expressão lusófona que são actualmente a minha principal fonte de inspiração e reinvenção da língua.
Pepetela, Luandino Vieira, Mia Couto, João de Melo, Baltasar Lopes, Luís B. Honwana, Ondjaki, J. E. Agualusa e ando a investigar as mulheres que vão escrevendo por África fora...
Hummm... as obras que citas de Saramago explicam muita coisa. E acaso já leste "Memorial do Convento"? É que gostava de saber a tua opinião de Saramago através dessa obra (ou melhor, partindo daí). Há quem ache genial... já eu... Estou curiosa para ler "Ensaio sobre a Cegueira" que muitos argumentam ser essa, sim, a sua grande obra.
Quanto a livros recentes... melhor ficar calada. Não há tempo para nada :(
E o que é que explicam? ;P
Já li sim, sou do tempo da "obrigatoriedade de leitura". Confesso que julgo até ser a sua pior obra.
"O Ano da Morte de Ricardo Reis" seria mais conveniente para ensino.
O ensaio sobre a cegueira é, para mim, a sua segunda melhor obra pois acho que ele superou-se em "as intermitências da Morte" foi o livro mais inesperado pois eu não estava à espera de tamanha obra. Já o recente "a viagem do elefante" não possui o mesmo nível literário.
Ó mulher, tenho aí nas ligações um título chamado "Leya" vê o que anda por lá, por 5.95€ fixos consegues comprar obras-primas, normalmente de tamanho reduzido, 100pp e que se podem ler digamos 10 minutos por dia. toda a gente tem dez minutos por dia por mais que diga que não. e se for para algo que se gosta então...opta-se normalmente após o trabalho por não fazer nada. É uma opção, mas depois queixam-se de que só trabalha só trabalham quando na realidade ocupam muito mal o tempo livre que têm. Cansaço? Claro que há dias em que não dá mesmo...há dias em que chego a casa e quero é dormir, lol. Mas e os dias em que se vegeta em frente a uma Tv a ver um programa qualquer sobre nada em nenhures?
Oh, homem, livros para ler em casa não me faltam! Falta mesmo tempo, acredita! ok, poderia estar agora agarrada a um livro durante 10 mins ao invés de estar aqui a comentar-te. 10 minutos é o tempo de que disponho até voltar ao trabalho até às 22h30. e mesmo após essa hora tenho ainda coisas para fazer relacionadas com trabalho. é verdade que poderia ocupar estes 10 mins a ler um livro, de facto, mas recuso-me. que tipo de leitura seria essa? gosto de fazer uma leitura de qualidade, que queres? manias! e quando chegasse à cama poderia igualmente pegar num livro (e muitas vezes pegar... pego) mas o cansaço é tanto que após a primeira página os olhos fecham-se e não há nada que os mantenha abertos. Que queres... é a vida. Eu sei que a culpa é um pouco minha (muitas vezes acho que gosto de me queixar), mas não há remédio.
Agora quanto ao saramago: «Já li sim, sou do tempo da "obrigatoriedade de leitura". Confesso que julgo até ser a sua pior obra.» Ah Ah! Aqui está busílis da questão! Vês como explica! Eu também fui obrigada a lê-lo, mas numa fase posterior e ... DETESTEI. Ficou-me no goto. No entanto, posteriormente tive de ler outra obra dele - "Levantado do Chão". Apesar de ir já com ideias preconcebidas, fiz o esforço... Consegui entender melhor. Não gostei. mas também não desgostei. Entretanto, surgiu a masterpiece que é a obra "As intermitências da morte". Rendi-me. Soberbo! Em lista de espera está "Ensaio sobre a Cegueira". Por isso, como vês... eu não vejo as coisas a preto e branco. Quanto a ti, continua a dúvida: qual a primeira obra que leste dele?
p.s.: eu não leio 100 páginas em 10 minutos...
p.s.2.: "sou do tempo"...
bolas... és "bué" novo, pá!
bem me dizem os meus alunos que estou cota...
Time up and back to work.
Nada em nenhures é coisa para me interessar, sabias...;)
Adorei o memorial do convento... bom ou mau?... sei lá, isso que interessa?... Dom Saramago é um senhor da lingua portuguesa. Apeteceu-lhe ser comunista porque na sua grandeza de apenas gente, se prefere rodeado de indigentes e analfabetos que de banqueiros letrados amantes das belas artes. Que queres? manias...;) A mim enerva-me o seu ar de sacerdote da verdadeira religião, mas simpatizo com a sua carolice de fogoso amante eternamente jovem... A sua pose de nobelizado é um karma... coitado...;) E seja lá como for, não sei porquê, apesar disso tudo eu é que não iria viver para Lanzarote... acredita.
A maravilha da lingua, no entanto, está em que ela não se esgota no seu universo ou no de qualquer outro escritor, aliás... Por isso é bom ouvir-te falar desses tantos outros mundos com essa paixão...
Obrigas-me a passar do meu investimento inicial para um mais considerávelmente mais avultado... mas tá tudo reflectido, e se não te importas, aproveito para seguir a tua receita dos dez minutos diários...;)e olha, como não tenho televisão, descansa, desvegetarei de diante de outra coisa qualquer...;)
Merci.
Quanto aos outros autores sugeridos, e a um, muito em particular, acho que sim...;) mas para já, não vou ler, de certeza. Espero, no entanto, ansiosamente as novidades editoriais... e não vou perder pitada, uma única sílaba de tudo o que venha futuramente a escrever... porque me provoca realmente bastante curiosidade saber afinal o é que tem para dizer...
Eu por exemplo, tenho, agora de dizer-te que na minha opinião este blog não respeita certos critérios sobejamente establecidos....;) Venho comentar a degradação do sistema de ensino de antão pelo laxismo e a falta de exigencia actualmente reinantes...;)
mas logo passo a fazer crítica literária selvagem a obras e autores! e acabo a comprar às prestações, enciclopédias de obras-primas... convertida à dieta desvegetariana sugerida;)
Bom, bom, portanto... isto só pode ser, e é de certeza influencia das falas da Ernestine... vês?!...;) é o que acontece quando se dá voz, supostamente para as comentar, a outras certas e determinadas personagens... isto, claro, na minha mais criteriosa opinião...;)
Vá, ri-te, um beijinho...
E.O. leitura de qualidade? leitura de qualidade é ter dez minutos em que posso ler algo que realmente me interesse. mas não foi isso que eu disse quanto ao "memorial do convento". Perguntaste-me se o tinha lido e eu respondi "que sou do tempo da obrigatoriedade de leitura" o que apenas respondeu à tua pergunta inicial. Não foi por ter sido "obrigado" a ler (ninguém o é com os resumos que há há venda) que não gostei tanto, não detestei, apenas não me excitei com o livro, não me empolgou só isso...também fui "obrigado" a ler o "Aparição" do Vergílio Ferreira e li duas linhas e tive que o ler convulsivamente...até o li duas vezes (o que até deu um tremendo jeito na altura para o exame nacional, lol). A primeira obra que li de Saramago foi o Evangelho segundo J.C. e adorei a sátira. Quem disse que eu leio dez páginas em 10 min? se eu ler três páginas bem lidas dou-me por contente, porém quando noto ao fim de um mês acabei por ler mais do que esperava. Só leio de noite se não tiver sono pois tentar ler antes de dormir é suprimir dois prazeres: o da leitura e o de dormir.
Lol e ri-me mesmo S&L...antes de mais, há muito boa literatura em Portugal, cada vez melhor e começa a suspeitar-se que poderá vir outro Nobel (ler "nobelle". Embrulha lá Saramago!!) daqui a setenta anos para o Gonçalo M. Tavares (coitado ainda só tem 30!) não tenho falado nem elogiado pois ainda estou na fase "é pá este cabrão escreve bem para caramba!" que não é a melhor fase! lol. E falo desse e não de um valter hugo mãe, por ex., pois a exposição (totalmente às suas custas e qualidade) do Gonçalo no "lá fora" começa a ser assombrosa. Em França é considerado o "um dos dois grandes autores da nova 'penumbra'" sendo o outro o Bolaño.
Quanto aos critérios do blogue, é lacuna minha, de facto, não assumir a postura "ai coitadinhos de nós" para qual já não tenho pachorra há muito mas muito tempo.
E para quê falar de algo que outros falam bem melhor que eu? :P
É como isso do SCP de Portugal, tanta coisa porque um dos três grandes foi aldrabado numa final? preocupante é haverem crianças a morrer a cada momento por fome...isso sim devia estar escarrapachado em todos os ecrãs e em todos os estádios e em todos os todo-poderosos...mas deixemo-nos agora das minhas lutas pessoais...experimenta a técnica dos 10 min que comigo tem dado frutos (essencialmente: uvas, bananas e de vez em quando algumas melancias).
Exactly. Começaste a ler Saramago através de uma obra que te empolgou. Na minha opinião, também na literatura a 1.ª impressão é tudo e influencia todas as relações posteriores. Eu comecei com uma "má" escolha (ou imposição). E não devo gostar mesmo pois, se formos pelas obrigatoriedades, posso dizer que já fui "obrigada" a ler a obra várias vezes e nem por isso gosto mais dela, já o mesmo não aconteceu com "Viagens na minha terra", que comecei por achar enfadonho e, entretanto, já tive de a ler mais meia-dúzia de vezes e cada vez gosto mais daquilo.
Quanto a leitura "de qualidade", temos pontos de vista diferentes (again). Para mim um livro é como um bom vinho verde ou uma boa conversa: para ser apreciado, com calma, sem pressas nem tempo contado, abstraindo-me inteiramente da realidade (e do relógio), como se não houvesse mundo nem amanhã. Foi exactamente por isso que li mais "Idiota" no último fds do que num ano inteiro. Fechei as janelas durante o fds, desliguei o tlm e o computador, fiz greve às lides domésticas (as minhas alergias, aliás, têm-se queixado desse meu desmazelo) e ... li. São maneiras de estar...
"como se não houvesse mundo nem amanhã" é exactamente por isso que dedico um pouco de tempo ao que gosto. Vejo menos filmes, menos séries, fotossintetizo menos, mas faço-o.
Não considero que uma obra por ser de leitura obrigatória cause alergias. Considero antes que as obras escolhidas para essas leituras não são as mais adequadas. Divergimos já vi em questões essenciais como modos de viver, lol. Não há mal ao mundo por isso.
rrrrrr...
eu não disse que me causou alergia muito menos por ser de leitura obrigatória!
eu disse que a primeira obra q li de Saramago foi, por acaso, o Memorial de Convento, porque era obra obrigatória. por azar nao gostei e isso influenciou as minhas leituras posteriores do mesmo autor! por azar!
rrr... a língua muitas vezes afasta-nos mais que nos aproxima pois não raramente confunde em vez de levar ao entendimento.
...
Vou ali queixar-me da minha vida "como se não houvesse mundo nem amanhã" e chamar-me nomes por não me saber fazer entender.
P.s: a "rabuge" é das dores de garganta, do cansaço e mais uns qts queixumes
O.o, Lol, eu não estava a falar de ti E.O., calma. :) Mas do que vejo no ensino, a maioria das pessoas a quem é dada uma leitura obrigatória curricular acaba por detestá-la mas eu julgo que isso acontece pois as obras escolhidas são-no por critério duvidoso. O Memorial do Convento foi escolido por ser um romance histórico notável. Tudo bem, mas a ideia é captar as pessoas para a leitura e não afastá-las. Seria muito mais oportuno outra obra que não aquela para apresentar Saramago. Eu por exemplo considero que o "jangada de pedra" seria mais aconselhável.
O "aparição" do V.F. é um livro fundamental mas aos 17 anos ninguém quer saber das angústias existenciais de um médico na província. Mas se eu vou por aí não mais acabo..não é um argumento a favor do (re)baixamento dos critérios mas antes do incentivar à leitura.
P.s. na faculdade foi rara a leitura obrigatória que não me fosse útil.
P.S. tem andado "irritadiça" :( eu não ando a provocá-la minha cara...estamos só a dialogar sobre uns tópicos...eu gosto de falar com gente especialmente gente que discorde de mim mas apresente bons argumentos como é o caso, e é como disse não vem mal ao mundo por discordarmos. ;)
Henrik, tenho de facto andado "irritadiça". Having a terrible week, not your fault so my sincere apologies for that. Mas na verdade, tenho de admitir que sou "irritadiça" por natureza (volatil dizem outros).
"nevertheless" (gosto desta palavra), eu gosto de perder os tais 10 minutos que me aconselhou a visitá-lo e comentá-lo. Gosto desta troca de ideias, destas discordâncias, da apresentação de teses e de fazer uso de argumentos e contra-argumentá-los. Gosto do diálogo, que tantas vezes faz falta (não se cansa de conversas de surdos diárias? eu canso...). [tenho um amigo com quem tento apenas tomar café 2x por ano pois os nossos encontros são sempre surreais, eu falo de batatas ele responde com cenouras, eu pego nas cenouras, ele responde com couves, eu mudo a conversa para aipos e ele para pepinos... é esquisito à brava...]
Mas voltando ao Saramago e às leituras obrigatórias. Eu sou de letras, meu caro, como já deve ter percebido. Como tal, adoro ler (mas nem sempre adoro aquilo que leio). Não me assustam leituras "obrigatórias" nem nunca assustaram e a "resumos" só recorri na faculdade por falta de tempo ou capacidade para assimilar 3 "literaturas" em simultâneo. Ainda a propósito, "Memorial do Convento" foi lido obrigatoriamente (assim o julgava... depois não tivemos tempo para o estudar nesse ano e dei aquilo como "tortura" a que me auto-infligi) na faculdade e não no secundário (já lhe disse que sou cota...)
Quanto a Saramago ser leitura obrigatória no secundário, não creio que seja por ser um "romance histórico" notável, até porque não o é. Foge às regras do romance histórico e nesse aspecto o seu estudo até é deveras interessante. É apenas a questão do "canone" (ainda estou e estamos todos para perceber a definição deste), o facto de Saramago ter sido Nobel com esse livro... (o q tb n entendo... tem melhores... mas a atribuição do NObel também é muito discutivel...) Enfim...
Desculpe a irritação subjacente nos últimos dias mas eu gosto destas trocas de opiniões (ou não teria voltado)
P.S.: o tratamento por "você" vem apenas no seguimento do teu comentário :)
P.S2: se desaparecer por mais uns dias, é porque a casa tem mm de ser limpa e lá decidi dedicar-me a terminar "O Idiota".
Passei um bom tempo só lendo os comentários aí de cima. Muito bons. Adoro textos complexos, comentários densos, polêmica e argumentação. Enquanto lia o post, pensei sobre isso. Acho mesmo que além de critérios, deixou de haver argumentação. Não há nada mais enriquecedor do que levantar questões que independem das opiniões.
Prazer sempre em te ler. Gosto de suas visitas no Assim que Sou. Quero tê-las também no Criative-se ( www.criativesse.blogspot.com). Amanhã, sexta-feira, tenho crônica nova por lá. bjs . Veronica
:) Eu depois passo por lá Verônica ;)
E.O. não me passaria pela cabeça zangar-me contigo descansa...;)
Bom a Sombra diz que gosta do romance, eu cá não sou grande admirador como já disse, acho que ele tem obras superiores, depois há a a polémica em torno do suposto plágio que envolve a obra de Saramago enfim...não quero entrar por aí, é altamente provável que ele tenha retirado várias ideias para vários livros de outras obras, agora se há plágios ou não isso já é outra história.
É preciso dizer que eu já escrevi neste blogue que o Saramago é, para o bem e para o mal, o terceiro escritor português claramente de nível intemporal, Camões, Pessoa e Saramago. Isso porém não quer dizer que eu considere que ele seja o melhor escritor luso vivo, embora, pelo conjunto da obra acho que é o grande escritor pós-pessoa. E pergunto quem é então o grande escritor português do século XX pós-Pessoa? Estou curioso para saber o que anda por aí...é possível que Cardoso Pires merecesse mais o Nobel que Saramago, Lobo Antunes? Hum...talvez...
Escreve algo novo, pf!
P.s: vai um copo de vinho verde?
ok... nada de novo ainda.
estarás também tu de férias?
de qualquer das formas, passei só para dizer que acabei, hj, FINALMENTE, de ler "o Idiota"!!! E se valeu a pena a insistência! :)
Agora deixo momentaneamente os russos e passo para os americanos (New York Trilogy).
:)
Beijinhos e bom fds
Paul Auster?! adoro a trilogia...;)
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